Apoteose

Qual será o silêncio a ser gritado hoje? Tempo ainda nos resta algum. Pouco, mas algum.

Da janela vem um pouco de distração. Toda a distração que se tem. A vida se distrai vivendo. E vendo os outros viverem. Ver os outros sendo. Às vezes intento o intenso, mas às vezes não…simplesmente gosto do meu pouco simples, muito meu, meu pequeno muito. Nosso mundo é grande em nós. Vivemos numa incessante luta muda entre ele e nós. Um tenta cercar, abarcar, apreender o outro por inteiro, mas nos esquivamos – nós e o nosso mundo – todo o tempo. Tememos descobir, um do outro, a pequenez, as limitações infindáveis, e pior: a inconfessada falta de forças ou vontade ou coragem para crescer, para se deixar misturar com o que está fora de nós. Porque se nos misturássemos – nós, nosso mundo e o que há além – seriam tantas as descobertas, tantas as possiblidades que tememos não saber lidar com esse novo mundo universal. E é de ser flagrados na impotência que temos mais medo. E disso fugimos. Por isso lutamos contras nossos mundos. Lutamos mudos. Pra não perdermos o foco da janela aberta a nos encarar cheia de distrações.

Receio ter me distraído e me contradito ao longo do pensamento… É que hoje estou perplexa diante do meu mundo. Tenho sentido o crescimento latente e estou buscando meios de deixá-lo entrar…pela janela, talvez. Mas temo não haver em mim abrigo suficiente para a sua nova dimensão.

 Vou ali botar meu mundo pra dormir. Ele está impossível hoje.

(Raissa Lopes)

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