Lançar-se

                                                                                                                                               

E o resto é o inverso do som.

Poeira sem tom.

Encanto meu dom e entrego ao mar.

Eu bem que tentei amar.

Mas fugi na porta.

Assustador era o frio.

Que sugava o medo meu.

Que aquecia meu peito em flor.

Tamanha era a grandeza do que estava por vir.

Do que poderia vir a vingar se eu adentrasse o portal.

Espanto o meu dom e me jogo no mar.

Por ter medo do medo não me permitir sonhar.

O sal me consome e me queima feito Sol.

Sangrei um sorriso doce de satisfação.

Sangrei um futuro incerto por mera distração.

O mar me abraçou, me engoliu.

Eu, boba que sou, pensei que era rio.

E gostei de sangrar.

(Raissa Lopes)

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3 comentários sobre “Lançar-se

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