Madrugada

A primavera se fazia em rosas…e azuis e violetas.Era o primeiro dia de uma vida. Vida morena, estrela, nada solitária. Vagava o perfume que subia do sorriso meigo. Sorriso de fada. Vagava por entre os dramas e os não-dramas. Eram poucas as damas. E amavam os salões. Fechava-se a porta do baile. Tudo que ficara para trás agora era nada. A vida começava ali. O que importava respirava ali, bailava…

Tantos dons ascenderam ao céu. Esperaram que o Sol se fosse, pois ao luar se voa melhor. Se ouve melhor o silêncio dos reis. Decidiu-se o destino de tantos, de tontos. Embriagados do perfume alegre caíram de suas asas. Nem sentiam a queda, a falta de chão sob seus pés. Caíam indefinidamente. E amavam cair.

Sobre a roseira pousou um fada. Bocejou cansada da longa noite de saltos que intensamente rodopiou. Tivera a impressão de ver reis, rainhas, damas, estrelas, anjos caindo aos risos pela imensidão alguns quilômetros atrás. Provavelmente havia imaginado coisas. Efeito da dança, da vida pulsando, do vinho.

Amou sua roseira. Contou-lhe do baile, do sangue, da intensidade. Beijou-lhe as pétalas macias e quentes, respirou fundo (o quão fundo uma fada pode respirar). E dormiu.

(Raissa Lopes)

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3 comentários sobre “Madrugada

  1. A estética, os sons, a atmosfera, as sinestesias, a caligrafia… conheço de longe a obra Raissiana! Curti demais “Madrugada”. É um texto pra sentir! Que venha logo esse novo e lindo livro de poesias!

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