Circo [2]

Na corda bamba.

No limite entre o demais e o quase nada.

Tanto é muito.

Pouco intenso pra quem eu sou.

E tudo que eu pretendo,

num passo em falso se voltou contra mim…

Na corda bamba.

Eu tento me equilibrar.

Por dentro me sinto gritar.

E girar, girar na ponta do pé.

Eu não sei como é querer tão pouco.

De mim e da vida.

Sentir tão pouco.

Ignorar ferida.

Ignorar os calos em meus pés.

Tentar levar em silêncio meus gritos.

Silenciar esses abismos. Tão difícil…

Pois na verdade há um grito, uma poesia em mim.

Me guio aos poucos.

Pego a rotina e vou levando.

Pé ante pé.

Lavando a alma numa cascata de calma.

Calma e fé.

Será preciso ir tão devagar?

Tenho a impressão de que vou cair se olhar pra baixo.

Daqui parece tão alto.

Tão alto se lançar em mim.

Minha esperança.

A corda bamba.

Me segurar em quem me estender a mão.

Me conduzir, com doçura, ao chão.

Tão grave se lançar assim.

O que pode ser mais lindo

do que florescer por instinto?

Como pode não ver a beleza da grandeza?

Na corda bamba.

Eu sei que vou seguir.

O espetáculo não terminou.

Não me foi dado desistir.

Por fora meu corpo sente voar.

E vagar e vagar num picadeiro de leveza, vazio, silêncio e imensidão.

Vou me levar até o fim.

O equilíbrio habita em mim.

E lá fora as flores estão prometendo um belo pôr-do-sol.

 

(Raissa Lopes)

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