No País das Maravilhas

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“Os odores. As flores fora de foco. As luzes sem rumo. A toca não tinha saída. Queda livre. Degraus. Forma e fundo. Formas de enxergar. Óculos, por favor. Escutem. Há um gato nos seguindo. Hora de procurar abrigo. Aqui escurece mais rápido que o normal. Normal? Qual o parâmetro da normalidade? Quem diz o tempo certo de o Sol de por para dormir? Quem nina o sol e acorda a lua? O chapeleiro está atrasado, como de costume.”

 

A fantasia é traiçoeira. Ao mesmo tempo em que liberta, aprisiona. Ela é egoísta. Nos clama para si por inteiro. Quanto mais a alimentamos, mais somos arrastados a alimentá-la. Como uma droga, vicia. Alguns instantes nela passam a não mais satisfazer seu criador. A fantasia, se não for dosada, nos domina, passa a nos controlar. Torna-se nossa realidade. É tão bela, grandiosa, indestrutível, que se torna perigosa. Impede-nos de enxergar o que temos de fato e atribuir-lhe o devido valor. Põe em risco a estabilidade do que construímos no mundo real. Põe em risco o modo como nos sentimos sobre esse mundo. A fantasia, se não for aprisionada em nosso peito e sabiamente usada nas devidas circunstâncias, nos aprisiona e consome. 

 

 

(Raissa Lopes)

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