Adele X Amy Winehouse

110723-winehouseadele-hmed-3p.grid-6x2Adele não é a nova Amy. Não é de todo errado querer chamar a atenção para alguma semelhança entre elas. Primeiro, o sucesso estrondoso ainda no comecinho da juventude. Talentos assombrosos, de fato. E ainda, o fato de serem ambas inglesas e terem timbres de vozes parecidos. Gosto dessa identificação entre elas. Torna-as mais que conterrâneas e quase contemporâneas. Quase que as coloca juntas em uma irmandade de modernas divas inglesas com vozes avassaladoras.

Mas não, Adele não é a nova Amy. Nem poderia. As duas escrevem, cantam, transmitem, exalam mensagens completamente distintas. Suas composições, riquíssimas e nada amadoras, possuem uma carga autoral muito, mas muito pesada mesmo. Suas obras estão atadas às suas pessoas de forma irremediável, tornando inviável qualquer comparação que tome uma por sucessora da outra.

Amy é uma explosão. Como ela mesma disse ao mundo, ela era problema. O que torna suas composições interessantes é o escancarar da sua vida privada, é o quanto ela se expõe nas letras que escreve. Não é simplesmente a vida privada, são as mazelas que existem ali.

Amy fala abertamente dos seus problemas com álcool, e demais drogas; canta sobre sua vida sexual, confessa pensar em um quando está com outro…tudo isso sem meias palavras. Não se priva de escrever no meio de seus versos termos, digamos, bem palpáveis, seja lá sobre o que for.

Ela não tem amarras morais para escrever. É seu desabafo, e se o mundo inteiro irá lê-lo ou ouví-lo pouco depois, “screw you all”!!!Não seria justo dizer que Winehouse queria chocar ou chamar a atenção. Não. Essa era ela e, apesar de ela cantar que sabíamos que não era boa, ela era boa demais.

O tom de conversa de suas letras, muitas vezes narrando uma história vivida pela própria Amy, abrem espaço para pensarmos nelas como uma espécie de diário. A forma que ela encontrou de colocar as coisas em perspectiva. Recontando, revivendo. Tendo contato, assim, com o que sente a respeito daquilo que experimentou. Isso é de uma riqueza psicológica estarrecedora.

Nas músicas de Amy vemos claramente como ela se comportava de forma autodestrutiva, como sofria e se deprimia por isso, mas também, como apesar de prometer inúmeras vezes, não era capaz de quebrar esse ciclo. E era tão verdade tudo isso, era tão sincero o seu compor… Quase soava como um pedido de socorro.

Sua obra estava, de fato, tão ligada, e refletia tão honestamente o seu estilo de vida, que a forma e a prematuridade com que sua vida teve termo não foram, exatamente, surpreendentes.

 

Adele? Adele é, digamos assim, uma fofa perto da Amy. Mas isso é assunto para um tópico futuro…

 

(Raissa Lopes)

 

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