De Mudança [Parte 2]

viagem-amor

Agora falta pouco. Muito pouco. O anoitecer se aproxima, se anuncia, se ergue sobre a minha realidade. Agora essas paredes vão ficar silenciosas. Vou cantar para novos muros. Vou vencer os muros e minha voz vai ser livre. Deixar para trás o que deve ser deixado. Carregar comigo o que me compõe. Não seria eu sem minhas emoções fortes, sem meus ecos vermelhos. Pulsante, como sangue. Sou tudo ou nada. Preciso ser um pouco mais no meio da estrada.

Agora falta quase nada. A luz do Sol está escorrendo pelos edifícios que contemplei por 5 anos da janela do quarto. A última noite nesse quarto vem chegando, me convidando a dormir bem, como homenagem derradeira ao amor que tenho por esse lugar. Estou indo. Mas não foram 5 anos, que fique claro. Foram 22.

Sem dúvida, a estrada é larga. À minha frente o mundo inteiro, com suas portas, seus horizontes, seus mares. Águas que irei singrar com um prazer inenarrável, pessoal. Não há nada que me excite mais do que conhecer, desvendar, singrar e sangrar novos tons. Ir embora é também essa possibilidade. É noite, mais também é aurora. É o que fecho atrás de mim e o que abro em seguida. Com os olhos bem abertos para não perder nenhum detalhe. Contudo, não posso disfarçar meu luto pelo velho, pelo conhecido. Não seria justo dissimular a perda, a saudade e o amor.

(Raissa Lopes)

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