Espinhos

Qual o propósito de manter uma rosa que não se ama?
Qual o sentido de alimentá-la, de quando em vez, de falsas esperanças?
Qual o prazer em iludi-la, dizer reiteradas vezes o quanto lhe é cara,
Se da boca para fora?
Por quê não arrancá-la de uma vez do jardim?
Por quê não parar de confundir-lhe com gotículas sazonais de carinho?
Qual a graça mórbida de assiti-la mendigar teu afeto?
E de questionar tuas intenções, tensa, pétalas na mão, e tornares a afirmar “Sim, a amo”, para um Sol depois pisoteá-la e vê-la gemer por dias a fio?
Por quê não falar claramente: Rosa, parta! Rosa, não quero sua companhia. Teus espinhos superam teu perfume. Adeus. ?
Mesmo que ela seja vermelha. Foi Deus que a fez.

(Ana Maia)

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